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História do Café


O café no Brasil

A entrada do café no Brasil é mais uma história cercada de mistério e paixão. Conta-se que Francisco de Melo Palheta foi mandado ao Suriname com a missão de trazer uma muda da valiosa planta. Palheta se aproximou da esposa do governador de Caiena, capital do Suriname, conseguindo conquistar sua confiança. Assim, uma pequena muda de café Arábica foi oferecida clandestinamente e trazida escondida na bagagem desse brasileiro.

Por quase um século, o café foi a grande riqueza brasileira, e as divisas geradas pela economia cafeeira aceleraram o nosso desenvolvimento e inseriram o Brasil nas relações internacionais de comércio.

A cultura do café ocupou vales e montanhas, possibilitando o surgimento de cidades por todo o interior do Estado de São Paulo, sul de Minas Gerais e norte do Paraná.Ferrovias foram construídas para permitir o escoamento da produção, substituindo o transporte animal e dinamizando o comércio inter-regional de outras importantes mercadorias.

A riqueza fluía pelos cafezais, evidenciada nas elegantes mansões dos fazendeiros, que traziam a cultura européia aos teatros erguidos nas novas cidades do interior paulista. Durante dez décadas o Brasil cresceu, movido pelo hábito do cafezinho, servido nas refeições de meio mundo, interiorizando nossa cultura, construindo fábricas, promovendo a miscigenação racial através da imigração dominando partidos políticos, derrubando a monarquia e abolindo a escravidão.

Além de ter sido fonte de muita das nossas riquezas, o café permitiu alguns feitos extraordinários. O café brasileiro mais conhecido em todo o mundo é o tipo Santos. A maioria das pessoas acredita ser a cidade de Santos, o porto exportador de café, a origem do nome. Na realidade, a marca Santos deriva de Alberto Santos Dumont, que além de ter sido um pioneiro da aviação, foi também "o rei do café".

O início do plantio no Brasil

O primeiro plantio o ocorreu em 1727, no Pará. Devido às nossas condições climáticas, o cultivo de café espalhou-se rapidamente, com produção voltada para o mercado doméstico. Somente no século XVIII, o café adquiriu real importância no mercado internacional, tornando-se um produto de luxo nos países do Ocidente. O Brasil entrou tarde nessa corrida, ocupando, em princípio do século XIX, uma posição bastante modesta. Em 1779 iniciamos nossas exportações com a insignificante quantia de 79 arrobas e somente em 1806 as exportações atingem 80 mil arrobas. O ponto de partida de grandes plantações é o Rio de Janeiro, com as matas da Tijuca tornando-se grandes cafezais. O café estende-se para Angra dos Reis, Parati e chega a São Paulo por Ubatuba.

De repente, a grande região produtora de lavoura cafeeira no Brasil é o vale do rio Paraíba. Esta região com altitude e clima excelentes para o cultivo, possibilitou o surgimento de uma região centralizadora de culturas e população. Subindo pelo rio, o café invade a parte oriental da província de São Paulo e a região da fronteira de Minas Gerais. O Rio de Janeiro torna-se o porto de escoamento de produto e centro financeiro.

Entretanto, a cultura do café em áreas com declive acentuado e o total descuido quanto à preservação do solo geram uma erosão intensa. Por este motivo, as terras ficam rapidamente esgotadas e a cultura cafeeira migra para um outro local, o oeste da província de São Paulo, centralizando-se em Campinas e estendendo-se até Ribeirão Preto.

Campinas torna-se então o grande centro produtor do país. Nessa região, as culturas estendem-se em largas superfícies uniformes, que cobrem a paisagem a perder de vista. Formam-se os famosos "mares de café". Os cafezais dessa região sofrem menos o esgotamento dos solos por sua superfície plana, e pelo mesmo motivo as comunicações e os transportes são mais fáceis nessa área de topografia regular e riqueza mais concentrada.

Enquanto no Vale do Paraíba foi estabelecido um sistema complexo de estradas férreas, nessa nova região surge uma boa rede de estradas rodoviárias e ferroviárias. O café muda seu centro de escoamento, sendo toda a produção do oeste paulista enviada a São Paulo e depois exportada a partir do porto de Santos.

O ápice do café

As plantações são fundadas na grande propriedade monocultural trabalhada por escravos, substituídos mais tarde por trabalhadores assalariados... As grandes fazendas de café ficaram por sua arquitetura típica e seus equipamentos. Tanques em que o grão é lavado logo depois da colheita, terreiros para secagem, máquinas de seleção e beneficiamento fazem parte desse ambiente. A senzala dos escravos ou colônias de trabalhadores livres finalizam por caracterizar as fazendas cafeeiras. A fazenda de café, desde a semente até a xícara, torna-se um pequeno mundo, quase isolado.

O desenvolvimento da produção cafeeira esteve intimamente relacionado com a quantidade de mão-de-obra disponível. Para incentivar a produção de café, a administração do Estado de São Paulo fez da questão imigratória o projeto central de suas atividades, estabelecendo um sistema que oferecia auxílio formal à imigração européia, principalmente à italiana. Através de um programa que cuidava da propaganda em seu país de origem, os imigrantes eram trazidos com todo amparo, desde seu domicílio na Europa até a fazenda de café. Dessa maneira, a imigração ajudou na conquista de áreas ainda não exploradas, permitindo rápido desenvolvimento do Estado de São Paulo.

Durante três quartos de século, concentra-se na agricultura cafeeira quase toda riqueza do país. O Brasil dominava 70% da população mundial e ditava as regras do mercado. Nessa época os fazendeiros de café se tornaram a elite social e política, formando umas das últimas aristocracias brasileiras. A opulência dos plantadores de café permitiu a construção dos grandes e bonitos casarões das fazendas e financiou a industrialização no sudeste do país.

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